DESENHO ANIMADO DO CHAVES
APESAR DE DIVIDIR OPINIÕES, ELE TAMBÉM FAZ SUCESSO, ASSIM COMO A SÉRIE ORIGINAL.

Ouvem-se rumores sobre a produção dessa série desde um longínquo 2001. No ano seguinte, foi fundada a produtora que, a partir de 2006 passaria a fazer a série, a Ánima Estúdios, que se tornaria o maior estúdio de animação da América Latina, com incríveis 95 animadores (talvez o maior estúdio de animação do Brasil não chegue a oito! Aaarghhh!!*) E olha que na Argentina está a Patagonik, uma produtora com um convênio indireto com a Disney e que fez filmes muito bem feitos, como O Resgate de Nina e os da série Dibu, exibidos pelo SBT.
Mas vamos dar um desconto: desde o começo, a Ánima usa o software Adobe Flash, assim como os sites brasileiros Humor Tadela, Charges.com.br, Mundo Canibal e AnimaTunes- os dois últimos com resultados bem próximos aos dos desenhos animados tradicionais.
Antes de "Chaves", a Ànima Estúdios já fez, em 2002, a série Poncho Balón, protagonizada por uma velha bola de futebol, que acabou fazendo sucesso no mundo hispânico.

A série do Chaves tem como ponto fraco uma série de distorções em relação ao original. Nada a ver com a casa número 10 do Seu Madruga (aparentemente uma homenagem disfarçada à Maradona, que é fã do personagem. Maradona fez fama com a camisa 10 da Argentina.)

As distorções se originam pela evidente e gritante ausência da personagem Chiquinha. Pra quem achava ela o Zeppo Marx, Zacarias ou o Xaveco da turma (e me desculpem, mas eu faço parte desse grupo, mas enfim olha aí), são necessários incríveis três personagens para substituí-la: Nhonho, Pópis e Godines! A remoção da personagem também altera substancialmente os roteiros: em um episódio a turma vai à Acapulco por conta própria mesmo, nada de polidor de metais. Nhonho não é tão "preibói" quanto era no live-action, Godines tem mais grana do que ele!! Apesar disso, as personagens Glória e Paty aparecem mais adiante na série (mesmo com o visual não tendo nada a ver com quaisquer das atrizes que as interpretaram), e Paty aparece em mais de um episódio.

PS: Maria Antonieta de las Nieves, considerando tudo isso, é bom você pensar sériamente em visitar o Brasil, e urgente!...

Outro ponto que vem desagradando os fãs é a relativa ausência de histórias inéditas (as primeiras aparentemente só começarão no final da segunda temporada, que começa a estrear no México), e a versão para animação de episódios considerados não muito interessantes, como a "Falta d'água" - que fez a figura de ação do Seu Madruga vir com um balde. Bom, pelo menos não tem "Acaba o Romance" e outros episódios de timing cinematográfico.

Apesar dos pesares, a série vem fazendo um certo sucesso no Exterior. Já no Brasil, a situação não é das melhores.
O SBT exibiu o primeiro episódio em 1o. de janeiro de 2007, e vem, desde então, reprisando impiedosamente, os mesmos 13 episódios. Somente por volta de outubro, os primeiros episódios que faltavam para terminar a primeira temporada começaram a ser exibidos, e semanalmente - todos já foram dublados.

Ah sim, a dublagem é um capítulo a parte. Parte do elenco grava em São Paulo, nos estúdios da Álamo, e parte no Rio, na Herbert Richers, que coordena o processo. Entre os dubladores, o ator e chavesmaníaco Gustavo Berriel assume uma das grandes surpresas do desenho, o Nhonho, que no desenho animado é bem mais carismático do que a encomenda.
E é aqui que a porca torce o rabo. A dublagem do desenho animado vem dividindo opiniões como nunca havia acontecido antes - só de forma mais branda, como muitas pessoas não gostarem das dublagens do lote de 1984 por causa do eco, por exemplo. Muitos reclamam de tudo, são tantas coisas que se eu começar a escrever isso aqui vai parecer um site "contra" as séries CH e seus derivados.

Uma ausência notável é Nelson Machado, como Quico. No lugar dele, entra Sérgio Stern.
Marcelo Torreão dubla o Sr. Barriga. E o texto, no Rio de Janeiro, é supervisionado por Manolo Rey, mais conhecido por ter sido a voz de alguém que certa vez já se pôs no caminho das séries CH: Will Smith. Manolo já aprontou das suas: Quico pergunta para o Seu Madruga se ele "tá chamando urubu de meu louro"...
A propósito, a dublagem mexicana é uma das que rivalizam com a brasileira: é no México que são dublados programas que vão para todos os países do mundo onde se fala espanhol - os fãs de animes sabem bem o que é isso, a versão que chega no Brasil geralmente vem do México. Torrada e moída... (Berriel assume a tradução a partir da terceira temporada.)

Falando em dublagem, Chaves precisou ser redublado para passar na Espanha, a partir de 2008. Em vez de Chanfle (expressão tipicamente mexicana), ele diz uma expressão equivalente espanhola, "Jolines", entre outras coisas. (A propósito, Jolines vende mais por quê é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?... rerere)

Apesar dos pesares, já vi muitos desenhos animados na minha vida que eu detestei (A Turma do Max, Dog City, Tom & Jerry fase Iwao Takamoto, Chipmunks...) e, sinceramente, Chaves não é um deles. Se você discordou da minha seleção de desenhos que eu acho ruins, então é sinal de que o desenho animado de Chaves é bom mesmo...

A série também tem seus pontos fortes, a começar pelo visual dos personagens, no geral, muito bom, todos são bem carismáticos, as vezes muito mais do que no original, palmas para o 'character designer' da Ánima Estúdios.

A série animada desfaz várias limitações do original: as histórias podem ser passadas em muito mais lugares, como uma praça, no meio da rua, etc. - inclusive, é mostrado, curiosamente, que o Sr. Barriga seria vizinho da vila de sua propriedade! Além da tradicional e inenarrável, mais do que nunca, ô loco meu, escola (ou melhor, Escuela), onde o Prof. Girafales phaz and acontece.
Seu Madruga e Jaiminho contracenam, inclusive Madruga já apareceu no restaurante da Dona Florinda. (Também, só em computação gráfica pra desenhar tantas cadeiras!) Mas todos os outros cenários que não a vila são bem diferentes dos originais. (Aliás, no restaurante, os refrigerantes são da marca Ches-Cola...)

É dada uma ênfase maior as situações imaginadas pela galera, o que também acaba resultando em mais risos. Por exemplo, a série se atreve a mostrar como seria a avó do Seu Madruga - xingada pela Dona Florinda, e, que, devido a ausência da Chiquinha, não tem nada a ver com a Dona Neves. Olha, vou dizer, é a avó da Penny Proud do Disney Channel, depois do acidente.

O desenho, surpreendentemente, mostra alguns paralelos com os animes, no que se refere ao estilo de alguns personagens secundários, e no fato de serem usados fundos "em explosão" em algumas cenas. Na verdade, cada vez mais gente descobre o que eu chamo de "Universo Japão", e os produtores, ao detectarem essa tendência, foram inteligentes em usá-la.

Chapolin é citado e aparece na série (Chaves lê um gibi do Chapolin), mas a cara dele não tem muito a ver com a do Chespirito, tem mais cara de herói mesmo. Há um projeto que aparentemente já está em andamento, de um longa-metragem do Chapolin em computação gráfica, uma superprodução como os longas animados em CGI que você já conhece, mas quanto ao visual do Chapolin nesse filme, isso deve estar sendo guardado a sete Chapolins, digo, chaves.

A partir da segunda temporada, são adicionadas histórias inéditas na série, sem terem a ver com as histórias originais do live-action que você conhece. E a terceira temporada tem uma novidade em relação as anteriores: está sendo produzida em HD (alta definição), uma tecnologia ainda muito recente e pouco implementada em desenhos animados de televisão.

O desenho animado estreou no SBT em 1o. de janeiro de 2007, as 18 horas. E até outubro desse ano, seus primeiros 13 episódios foram extremamente reprisados pela emissora, e os 13 seguintes, inéditos e já dublados, estão sendo liberados à conta-gotas. O que fez a série não fazer tanto sucesso quanto se esperava. Desde 2006, a TV Record elegeu Pica-Pau como seu "CHamariz de audiência", que só foi derrotado pelas primeiras exibições dos episódios deste desenho, em janeiro. De resto, urehehêhe, urehehêhe, rêrêrêrêrê...
*tentativa ingrata de transliterar o canto dos Pica-Paus em caracteres ASCII.

* Em uma busca no Google, a Labo Cine, produtora de "Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo" é considerada como o maior estúdio de animação do Brasil. Quantos profissionais eles têm? Aí o Google não diz...

texto Igor C. Barros | agradecimentos Fórum Único Chespirito e Site do Chaves (veja nesse site uma
entrevista exclusivaça deles - deles mesmos! - com o pessoal da Ánima Estúdios)

 

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