CHÓMPIRAS, CHESPIRITO E COMPANHIA
Conheça um pouco mais sobre as últimas séries e personagens
que fizeram sucesso sob a assinatura de Roberto Gómez Bolaños


Chespirito: um universo ainda maior do que se imagina
As séries Chaves e Chapolin como programas de televisão acabaram em 1979.
Mas de 1980 até 1995 foi produzido outro programa com o mesmo elenco e mais alguns personagens além de Chaves e Chapolin: o programa Chespirito.

Esse programa foi exibido no Brasil pela paranaense CNT em 1997, na época, associada a TV Gazeta de São Paulo. Nessa época, 60% dos programas da CNT eram todos da Televisa e dublados (ou legendados, devido a uma greve de dubladores naquele ano, mas só uma novela chegou a ser exibida desse jeito).
A CNT exibiu as novelas Canavial de Paixões (que teria um remake feito pelo SBT), A Força de uma Mulher, e o programa de entrevistas Cristina Show, além de um programa de videocassetadas e pegadinhas ao estilo norte-americano, Lente Loco.
Enfim, quase tudo da Televisa eles mandavam dublar e exibir, era uma festa... até então, só o talk show Geraldo foi exibido dublado pelo SBT.

No programa Chespirito, os brasileiros puderam conferir, pela primeira vez, esquetes de humor de Chespirito gravados entre 1987 e 1995. Uma surpresa total, pois devido as reprises do SBT, os brasileiros não faziam a menor idéia de como os atores estavam hoje em dia! Talvez nem mesmo com a reportagem feita por Gugu Liberato em 1988, nos estúdios da Televisa.
O ano de 1987 marca, entre outras coisas, a nova fase de Chómpiras (veja mais adiante), quando este deixa de ser ladrão.

A primeira coisa que salta a vista são os cenários, muito bem feitos, como os das novelas mexicanas, e bem variados. Depois, os efeitos especiais... No hotel do Chaveco, que você vai conhecer já já, houve uma explosão perfeita em um episódio, que talvez a Rede Globo jamais faria para um programa humorístico (talvez só de 1999 em diante, para o Zorra Total). Pelo visto, Chespirito enfim teve à sua disposição um tratamento técnico à sua altura - sem referência aos presentes...

Chapolin em foto dos anos 80.Em 1993, o Chapolin Colorado se aposenta de vez. Chespirito, na casa dos 60, não era mais o mesmo de anos atrás, e até lembrava a interpretação do "galã" Chato Resto para seu herói (lembra, em Acapulco...) Mas também, ele passou a década de 80 no maior trampo, vocês queriam o quê?... Essa foto ao lado é dos anos 80, um período que só seria descoberto pelos brasileiros já no século XXI, no programa Clube do Chaves. Ao contrário do que se imaginava, o personagem nunca deixou de ser produzido, em 1980 já haviam vários episódios com o herói.

Falando nele, a maioria os episódios do Chaves dos anos 90 se passam na escola, mas também há alguns episódios na vila e no restaurante.O Professor Girafales voltaria a ter cabelos grisalhos, como o personagem foi concebido em "Super Gênios da Mesa Quadrada", Nhonho estava umas 3 vezes mais gordo do que nos anos 70, e Chiquinha [Chilindrina] apareceria pela primeira vez no Brasil com seu visual de 1982 em diante (vestido verde e vermelho com um óculos menos grosso e usando franja).

A vila do Chaves surge com um novo morador: Jaime Garabito, que mais ou menos desde 1980 mora no apartamento 32, o da escada.
Hã? Não sabe quem é? É aquele carteiro mesmo, que quer evitar a fadiga! Ele passa a morar na vila depois de se aposentar. Curiosamente ele também não paga o aluguel em dia e já chegou até a dizer: "Só não te dou outra por quê... eu quero evitar a fadiga!"

A principal personagem feminina da série passa a ser a dona Clotilde. Dona Florinda só aparece no restaurante, e o professor Girafales continua se encontrando com ela. Nhonho vive aparecendo pela vila, Chiquinha sempre aparece sozinha no apartamento 72 (pelo jeito está virando uma mocinha prendada) e, pra finalizar, Seu Barriga, já totalmente calvo, aparece de vez em nunca (e para cobrar o aluguel do Jaiminho, vejam vocês), e nem sabemos se a Dona Neves existe nessa última fase de Chaves (Ela apareceu, mas em episódios do Dr. Chapatin).
Patty foi interpretada por Verónica Gomez Fernandez, que é filha adotiva de Maria Antonieta de las Nieves, mas sua participação não foi vista no Brasil. Os episódios são de 1987.

Uma curiosidade, nos primeiros anos do programa, é o grande número de gravações em externa, algo que não havia sido explorado muito bem até então.

Vea la sección "Conozca el SBT" para esclarecimientos sobre los episódios no vistos en Brasíl
Doutor Chapatin continuava a se meter em confusões, e a única coisa que ele não aposentou foi o saquinho e seu velho telefone de pedestal bem ao estilo Hanna-Barbera. E com um cenário de primeira qualidade, como o dos seriados norte-americanos.

Lucas (à dir.) e PancadaImagem exibida pela CNTOutro que aparecia bastante foi o alfaiate Pancada Bonaparte [Chaparron Bonaparte] , que junto com seu amigo Lucas Pirado [Lucas Tañeda] aprontavam as maiores loucuras... no sentido literal da palavra. Pancada tinha uma espécie de "piripaque", como o do Chaves, que era ficar se agitando como se estivesse dançando twist.
Veja um exemplo das loucuras que Pancada e Lucas aprontaram: Pancada dizia que estava muito apaixonado por uma bela atriz de televisão, adivinha quem? Florinda Meza! Ele dizia que iria conquistá-la, e Lucas tem uma idéia: serra um buraco na lateral de um televisor, para que Pancada pegue Florinda antes do programa começar.
Enquanto isso, Florinda está num dos estúdios da Televisa se preparando para um programa, quando de repente, uma enorme mão aparece e a tira de cena - e ela aparece, pequenina, na mão de Pancada, que diz... "Não contavam com a minha astúcia!" Pra quem duvida, está aí a imagem.

Em outro quadro, eles se sentem incomodados com estranhas janelinhas que pareciam lentes de máquinas fotográficas... e descobrem, espantados, que eram câmeras de televisão! Uma raríssima metalinguagem em programas escritos por Chespirito.

Pancada e Lucas acabaram sendo os personagens dessa fase que mais caíram nas graças do público brasileiro, que aprecia muito esse tipo de humor (senão as histórias do Cebolinha e o Louco, de Maurício de Sousa, não seriam o sucesso que são).
A propósito: em um quadro do programa que não chegou a ser exibido por aqui, Pancada despacha um policial desmaiado (que ele acha que está morto) para o Brasil. O guarda volta meses depois, vestido de mestre-sala e sambando... Existem duas versões desse episódio, com Horácio Bolaños e Raul Padilla no papel do policial.

Beterraba (1972)Chaveco: esse, você conhece
Mas o destaque principal desse programa era o Chaveco [El Chompiras]. O seriado, como o vimos na CNT, foi criado por volta de 1984, e o que se via naquela emissora eram os episódios de aproximadamente 1988 em diante.
Chaveco era aquele personagem que era um ladrão (na ocasião chamado Beterraba), que o outro ladrão era o Ramón Valdez, e ele vivia dando tapas nele e dizendo "E da próxima vez, vou te arrancar as unhas com um alicate!" - tipo o que a Dona Florinda diz pro Seu Madruga. Outro parceiro de golpes era Botijão (Edgar Vivar). Há apenas um quadro onde os três bandidos aparecem juntos! Isso era nos anos 70 (em 1980 há um remake onde aparece Rubén Aguirre no papel correspondente, como o vilão Shory).

Nos anos 80, após a saída de Ramón Valdéz do programa, Botijão passa a ser o "Batman" da dupla. Ele vive tendo idéias pra assaltar certos lugares, mas de preferência, sem que sua esposa Chimoltrúfia (Florinda Meza) saiba e sem que eles sejam pegos pelo Sargento Refúgio (Ruben Aguirre). O curioso é que Refúgio sabe que eles são ladrões, mas não pode prendê-los sem que seja em flagrante!
Esta série, "Los Caquitos", já foi exibida também pela CNT.

Mas, o tempo passou... Chaveco e seu ex-colega de assaltos Botijão deixam a carreira de crimes! Tudo por culpa do... Chaves! Tudo aconteceu em 1987, quando, ao roubarem um televisor, eles assistem o episódio do Sr. Furtado, e terminam emocionados e arrependidos como o personagem, devolvem o televisor e acabam indo atrás desse serviço. E arrumaram emprego de carregador de bagagem e ascensorista (respectivamente) de um hotel, no qual também trabalha Chimoltrúfia, como faxineira. Posteriormente, ela passaria a lavar e passar as roupas na lavanderia do hotel.

"Olha, você me desculpe, mas você sabe que a vida é assim mesmo, quando eu falo uma coisa, eu falo outra... tem coisas que eu nem sei! E aí, tenho ou não tenho razão?"
(Chimoltrúfia)

   Chilmontrúfia (à esquerda) e Nachita   Os agora honestos Chaveco e Botijão acabam virando amigos do sargento Refúgio Pasguado, e de seu chefe, o delegado Morales (Raul "Chato" Padilla, o Jaiminho).
Refúgio sempre vem ao hotel onde eles trabalham para se encontrar com sua namorada, Maria Eugênia "Marujita" (Maria Antonieta de las Nieves). Os dois formam um casal com certas dificuldades para se beijarem, mas enfim...
As vezes, pra aumentar a confusão, aparece a Dona Grimaldolina [Spotaverderona] (Anabel Gutierrez)- a mãe da Chimoltrúfia, que fala os mesmos bordões que a filha.
Bom, e qual é a graça, vocês podem se perguntar. Chaveco só vive pedindo gorjetas, e das grandes (que nem o garçom Chaves). Botijão não deixa ninguém subir no elevador, porquê o elevador só aguenta ele, e ele é o ascensorista... (É, tem coisas que só Chespirito mesmo: hotel que quase não tem hóspedes, elevador que não consegue subir...)
Angelines Fernandez entra como a dona Cotinha [Nachita], a vizinha da Chimoltrúfia. Na CNT, apareceu em apenas um programa, mas no SBT, que exibiu episódios anteriores a 1990, ela apareceu em 3 episódios.

Ao contrário de quase todos os trabalhos anteriores de Chespirito, que possuem um elenco quase que invariável, Chaveco tem inúmeros atores convidados, do elenco da Televisa. O mais conhecido deles no Brasil é Arturo Garcia Tenório, que foi o "bebê jupiteriano", nos anos 70 e na novela Carrossel (1989), foi o pai do Jaime (Jorge Granillo), que era um mecânico, atualmente é diretor de novelas.
Ricardo de Pascual
, o Seu Furtado do Chaves, também aparece algumas vezes, fazendo diversos personagens. Ramiro Orci (o capataz de um presídio num episódio do Chapolin) também aparece mais de uma vez na série. E Germán Robles também aparece, como o malandro que aplica o "golpe da guitarra" em Botijão (como é chamado o golpe da vida real, das supostas máquinas duplicadoras de dinheiro, que não passam de encenação.)

Recentemente, como um "presente" de Chespirito, os direitos autorais da Chimoltrúfia foram repassados integralmente para Florinda Meza. Esse núcleo de personagens chegou a ter um gibi, no final dos anos 80, não sabemos se fez tanto sucesso quanto os demais personagens de Chespirito. E não sabemos se Florinda lucrou com esse gibi ou se isso foi depois do final de suas publicações. O caso é que Chimoltrúfia, no México, fez tanto sucesso quanto a Dona Florinda - talvez por ser totalmente o oposto da última, sei lá, aposto que se Chimoltrúfia aparecesse na vila do Chaves, ela também seria da "chusma", segundo a Dona Florinda.

O programa teve uma mudança. Antes, o hotel era tipo uma "pousada", bem simples mesmo, chefiado pelo Seu Lucho (Carlos Pouillot), e na temporada de 1993, o patrão passa a ser o Seu Cecílio (Moysés Suarez), e o hotel se torna algo como um hotel de 3 estrelas, muito bem equipado (passaria a contar com dutos para se jogar a roupa suja direto na lavanderia, por exemplo).

"Chompiras" era a série preferida dos atores, pois nela eles interpretavam pessoas como eles próprios, com sua idade real. Aqui no Brasil, no entanto, a recepção não foi tão calorosa: o humor da série era 100% textual, e várias piadas acabavam se perdendo em traduções nem sempre bem inspiradas, tudo isso fora a opção de Chespirito, a partir de 1980, de não ter mais risadas gravadas no fundo. Mas a dublagem brasileira teve de colocar isso pra, pelo menos, tentar salvar alguma coisa.

Se bem que em 1994 houve um episódio praticamente impossível de ser dublado: nesse episódio, Abraham Stavans (dono do parque de diversões em 1979) era um turista americano que conversava com Seu Cecílio e Botijão... em inglês, com legendas em espanhol. E Chompiras ficava "boiando".
E aí é que vem o surpreendente: Stavans, Moysés Suares e Edgar Vivar falam inglês perfeitamente (o Stavans eu até já imaginava, com um nome desses, já os outros dois realmente me surpreenderam). Não é a toa, portanto, que Edgar Vivar foi visto recentemente como coadjuvante do filme Bandidas, com Salma Hayek e Penélope Cruz .

No começo dos anos 80, Chespirito e Edgar já fizeram um quadro do "Gordo e o Magro" totalmente falado em inglês, de repente foi a partir daí que eles foram considerados os melhores imitadores do mundo de Stan Laurel e Oliver Hardy, pelo fã-clube oficial dos comediantes norte-americanos.

Outros personagens
Chespirito também criou um um quadro de época. É o Dom Caveira (Roberto Bolaños), um dono de funerária, que na verdade, se chama Carlos Veira, que tem como amigo um médico, Rafael Contreras (Ruben Aguirre) e como empregado, Celório (Moysés Suarez). Este quadro, na verdade, é o mais variável de todos, só perdendo pro Chapolin, por não ter um mote fixo, são situações envolvendo a funerária "Pompas Fúnebres" e seus clientes. O quadro se passa no começo do século XX. Dom Caveira tem uma filha (uma jovem atriz que não sabemos o nome) , que aparece na casa dele junto com a empregada (Maria Antonieta de las Nieves).

Outros programas... Hein?!
Em 1994 o programa Chespirito ficou um tanto diferente e passou a ter um spinoff, exibido junto com o programa própriamente dito: Com Humor... ao Estilo Chespirito.
O spinoff durou poucos meses, e com dois quadros diferentes: o pseudo-programa de auditório Increíble pero Cento por Ciento (algo como "Incrível, mas é 100% verdade") apresentado por Edgar Vivar, e o pseudo-telejornal A Notícia Rebelde, apresentado por Maria Antonieta e Rubén Aguirre. Este último, aparentemente não foi um retorno às origens dos "Super Gênios", porquê era apenas um telejornal humorístico, sem os comentários mordazes dos personagens daquela outra época. Talvez fosse mais ou menos como o "pai" de todas as sátiras de telejornais, o clássico da TV americana Weekend Update, quadro do programa Saturday Night Live. Deve ter sido algo marcante para os apresentadores, porquê Maria Antonieta e Rubén já estavam lá, nos Super Gênios, quando tudo começou...
O quadro "Increíble", aparentemente, tem um humor mais voltado ao público adulto - ou seja, se chegasse a ter sido dublado, Cassiano Ricardo e seus blue caps seriam inocentes. O melhor desse programa é a platéia que aplaude calorosamente, como em programas da TV americana, uma platéia de... quatro pessoas.
Alguns esquetes desse programa chegaram a ser exibidos no Clube do Chaves. Algo que esse programa fez muito em 1994 eram quadros totalmente mudos (algo que, por outro lado, permeou toda a carreira de Renato Aragão aqui no Brasil).

Chespirito também apoiou a criação de outro programa, a sitcom Buenas Notícias, que lembrava o quadro do personagem Vincente Chambón e tinha no elenco Paulina Gómez (a filha do hôme!), Juán Antonio Edwards e Mário Casillas. Essa sim, definitivamente, nunca ouvimos falar...

Em agosto de 1995, o programa acaba (a diretoria da XEW TV decide que nessa emissora só haveria novelas). O último episódio do programa infelizmente não teve nada de mais e foi exibido já nas primeiras semanas do Clube do Chaves : o episódio onde Paulina Gómez faz uma mulher que trata uma boneca como se fosse sua filha de verdade.
Os spinoffs de 1994 mostram, portanto, que o programa não estava em declínio quando "foi terminado", muito pelo contrário: Bolaños mostrava que continuava a ter idéias novas e tão geniais quanto as mais antigas - mesmo depois de certas histórias terem sido gravadas quatro ou cinco vezes desde os anos 70.

Os humorísticos, no entanto, voltaram a ser reprisados, com muito sucesso, na XEW TV e nos outros canais do grupo Televisa.

A exibição no Brasil
O programa "Chespirito" dos anos 90 foi muito bem exibido, aqui no Brasil, pela CNT. Sem cortes, com todos os créditos! O único problema é a velha tradição da TV brasileira de exibir séries dubladas com poucos capítulos de frente, e esse programa acabou sendo mais reprisado que o próprio "Chaves" velho de guerra do SBT, que curiosamente não chegou a sair do ar por causa disso.
Aparentemente, apenas um único episódio do Chapolin foi exibido pela CNT, e esse passou também no Clube do Chaves: uma nova versão do ladrão que se disfarça de qualquer coisa, mas com alguns upgrades (Mil Faces agora também muda de voz).

Abertura de "Club del Chavo"Chaveco, Pancada e os outros personagens voltaram a ser exibidos no SBT, de 2001 a 2002, sob o nome de Clube do Chaves, que exibiu também episódios mais antigos, de 1987 em diante. Curiosamente, Marujita, a extravagante personagem de Maria Antonieta de las Nieves em "Chaveco" demorou quase 5 meses para ter a sua primeira aparição em "Clube do Chaves", com o nome de Marujinha.

Clube
terminou de forma melancólica em 2002, sendo substituído por outros programas e séries, inclusive até por episódios clássicos de Chaves e Chapolin, sem o menor aviso.
A verdade verdadeira é que, ainda tendo o humor e quase os mesmos atores, a série não agradou muito os fãs brasileiros pela dublagem e adaptação diferentes (o caso é que as músicas dos episódios clássicos foram todas colocadas pelo SBT e pela Marshmallow, a trilha sonora original do Chespirito é extremamente simples, chegando a parecer fraca comparada ao resto do programa, e a Gota Mágica acabou tendo que respeitar isso, ao contrário das empresas anteriores), além de uma adaptação que pegou um pouco pesado com o humor do programa, tornando-o mais parecido com o dos humorísticos brasileiros, e porque os atores já davam alguns sinais de cansaço.

Com tantas reprises dos anos 70, os brasileiros não acompanharam o envelhecimento progressivo dos atores ao longo dos anos, como acompanharam os latino-americanos. Mas não foi por ter desagradado os fãs que a série saiu do ar: foi porque o SBT quis, mesmo...
De repente, o erro do SBT foi não foi ter comprado episódios de 1980 a 1987, onde aí sim veríamos os atores um pouco mais parecidos com o que a gente está acostumado a ver. Mas aí também não dá: aparentemente, pelo que foi visto pela Amazonas Filmes, a própria Televisa escolhe os episódios que vai fornecer, e resta a nós chupar o dedo ou comprar receptor pra assistir os programas via parabólica, como já fazem alguns poucos. Talvez uma seleção "justa" de episódios só será possível de forma clandestina, feita pelos próprios fãs, mesmo... Fãs da série dizem que os episódios até 1985 são bem razoáveis e parecidos com a fase clássica.

O repórter Vicente Chambón, cujos episódios foram produzidos de 1980 a 1983, era o personagem de Chespirito menos conhecido no Brasil - era, agora que descobrimos a história dos programas paralelos feitos em 1994. Engraçado, será que ele é que era o "Cente"?... Brincadeira...

Como vocês vêem, eventuais estrangeiros que queiram vender fitas de programas aqui no Brasil têm um "vastississíssimo" território a ser explorado.

Uma curiosidade: desde o início, em 1980, o programa Chespirito já possuia Closed Caption. Esse tipo de recurso só se tornaria popular na TV brasileira a partir do século XXI... Mas tudo bem: por outro lado, a abertura de 1980 se manteve quase durante toda a década e chegou já nos anos 90 completamente ultrapassada - lembre-se, por exemplo, que em 1983 o Fantástico já tinha uma abertura feita usando computação gráfica. Algo que chegaria à abertura do programa Chespirito cerca de 10 anos depois. É, a gente apanha, mas também bate!

*José Carlos Martinez, dono da CNT, morreu em um acidente aéreo em 2003. Atualmente a emissora chama a atenção por vender praticamente 90% de sua programação para infomerciais e programas de cunho religioso. A parceria com a TV Gazeta terminou no final dos anos 90, a partir daí a CNT passou a ser captada em São Paulo apenas por UHF, passando a ter muito menos audiência.

     Texto Igor C. Barros | Agradecimentos Reniet Ramirez / BrunoSamppa/ Câmera 5 (prog. Sônia Abrão)    

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